Pra quem não viu a minha entrevista no Jornal Estadão
O lhasa apso Billie Joe, 1, tem perfil com 817 amigosEle está no 'aukut'?
Cachorros com perfil no Orkut atraem dez vezes mais amigos que seus donos
Lambeijocas e aubraços. Assim Billie Joe, um lhasa apso de um ano, cumprimenta seus amigos no "aukut", a parte canina do Orkut, site de relacionamentos humanos que virou febre no Brasil. Desde que entrou no "aukut", há 15 dias, Billie já contabiliza 817 "amigos", entre cães, gatos, ferrets, passarinhos e humanos -o grande barato do site é computar o maior número possível de amigos. Seu dono, Paulo (nome trocado a pedido), com perfil no Orkut há oito meses, conta com modestos 79 amigos, humanamente normal no site de relacionamentos.
"Meu cão tem muito mais amigos do que eu; ele teve um perfil lotado em duas semanas, com 1.000 'aumigos'. Tive de fechá-lo por não conseguir atender a todos", conta a dona-de-casa Giselle Viana, 42, referindo-se à Boris, seu beagle de dois anos.
A produtora de eventos Valéria Kazeoka, 45, que personifica Nikita, sua shihtzu de dois anos, confessa que não dispõe de um perfil pessoal por "falta de tempo para se dedicar a mais de um perfil", além de o de sua cadela. "Em oito meses, o perfil dela atingiu 1.001 amigos", conta.
Responsável pela "cãomunidade" "Dogs of Orkut", que conta com 17.010 membros, a estudante de publicidade Gabriella Anderson, 22, que atualmente não tem cachorro, acredita que, na pele de seus bichos, os donos se sintam mais à vontade para conhecer pessoas novas. "No meu perfil pessoal, por exemplo, eu só aceito como amigo quem já conheço; já no do meu cachorro (um beagle, que não mora mais com ela) aceito quem quiser entrar", afirma. Observar a existência de outros perfis de pets é o que motiva, na maioria das vezes, donos a criarem o de seus cachorros.
Para Gabriella, encarnar o animal é uma grande diversão. Além do perfil de Kevin, ela responde pelo de Meggy, sua gata, e Baleia Orca, uma baleia virtual. "Tenho paixão por animais. Converso como se eles é quem estivessem falando. Até hoje mantenho contato com uma cadelinha que ficou amiga do Kevin na época em que ele estava procurando uma namoradinha", diz.
Mas, na opinião dela, é o "fórum", local da "cãomunidade" onde os membros discutem tópicos, a parte útil de toda essa brincadeira. "É onde o pessoal interage, fica falando sobre vacinas, há gente querendo doar ou adotar, procurando namorado. Fico monitorando para não sair nenhuma besteira", afirma.
Motivada pelas atitudes "humanas" de sua cadelinha beagle Mel, 3, sua dona, a tradutora-intérprete Silvia Marques, 27, decidiu criar, em nome da Mel, a "cãomunidade" "Eu Penso que Sou Gente", hoje com 13.757 membros. "Há outras comunidades mais sérias, com enfoque nas raças, em saúde animal. Esta é mais uma brincadeira, para quando o dono está estressado e quer dar um 'relax'", diz Silvia.
Por meio dela, Mel chegou a marcar um encontro real com um 'aumigo' virtual. "Fomos passear no parque Ibirapuera. O cão era muito sozinho e queria interagir com outro da mesma raça. Foi legal", afirma ela, que em seu perfil pessoal conta com cerca de 300 amigos; Mel coleciona mais de 600. "Os cães têm tantos amigos que dá a impressão de que eles têm uma vida social muito mais intensa que os humanos", diz Silvia. Ou como os humanos gostariam de ter.



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